Os «economistas» CONVENCIONAIS que nos desgovernam percebem tanto de Economia como os doutores da Santa Madre Igreja que condenaram Galileu percebiam de Astronomia...
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
O barulho mediático sobre a Jerónimo Martins
Confesso que fiquei particularmente sensibilizado (chocado, revoltado, indignado...) com a supina lata de um senhor administrador de uma grande empresa cervejeira da cidade do Porto, a justificar (e a defender) o direito das empresas em refugiarem as suas sedes fiscais, em países onde o regime fiscal é «mais amigo dos 'investidores'»...
E depois, para que os ouvintes ficassem esclarecidos sobre uma eventual «neutralidade» do entrevistado relativamente a esta questão, foi acrescentado pelo moderador da TSF, que a referida empresa cervejeira não fazia «isso» (de ter uma sede fiscal num daqueles refúgios fiscais). Esqueceram-se, o entrevistador e o entrevistado, de esclarecer que 44% do capital da dita cuja empresa cervejeira é propriedade de uma empresa transnacional (a qual já tem a sua própria rede de refúgios fiscais) e que os restantes 56% do capital são propriedade de 3 «holdings» supostamente portuguesas.
E disse mais o tal senhor administrador: que o Luxemburgo e a Holanda, ao contrário de alguns refúgios fiscais (dizia ele...) são países respeitáveis e que portanto o que se estava a fazer era perfeitamente legal. Pois, houve um tempo em que a escravatura também era legal. E o regime de «apartheid» na África do Sul (só acabou há menos de 20 anos) também era legal... Como se o roubo legalizado deixasse de ser roubo.
Por fim (ou melhor, depois disso eu desliguei...) o senhor administrador deu ainda o exemplo da pouca competitividade fiscal do regime português, dizendo que em Portugal (ao contrário da Holanda e do Luxemburgo) os «investidores» que comprassem uma empresa (em processo de concentração e reestruturação empresarial, «dixit») por um valor de mercado acima do valor contabilístico dessa empresa, não podiam depois descontar essa diferença como prejuízo fiscal.
A confusão conceptual (e demagógica) é tanta que daqui sublinho apenas esta coisa: para estes senhores, investir (e criar riqueza, «dixit») é comprar empresas (e depois despedir uns 10% a 20% do pessoal para a tornar «mais rentável», dizem eles...).
Antigamente investir era criar novos empreendimentos, de raíz...
Até já ouvi a um outro senhor de uma outra grande empresa do PSI20, reconhecer essa coisa elementar: «quando se compra uma empresa não se está a investir, o que está a acontecer é apenas a troca de propriedade» (de uma «fonte de lucro», acrescento eu...)
De passagem, o senhor administrador, não deixou de apelar à necessidade de um entendimento alargado entre todos os partidos do «arco-de-governabilidade» («dixit»). Pelos vistos os outros partidos - mais à esquerda - esses não têm direito a ter «voto na matéria». Quando muito (e vá lá, vá lá...) poderão ir protestando. Dentro das regras, claro! Presume-se.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Informe avulso para uso de eventuais visitantes da navegação internética...
Nesse contexto, serão sempre bem vindas a polémica e o contraditório relativamente a quaisquer ideias aqui manifestadas ou teses aqui defendidas. Parte-se aqui do princípio que a exposição de ideias contrárias ou de factos contraditórios que refutem essas ideias ou teses aqui expostas serão elementos úteis (quando não mesmo necessários) para o aprofundamento de ideias, eventualmente menos correctas ou erradamente expostas.
Espera-se apenas que essa polémica ou contraditório sejam substantivos, digam respeito às ideias expostas e sem processos ad hominem gratuitos ou avulsos. Quaisquer mensagens que não cumpram minimamente com critérios de civilidade e bom senso na argumentação do contraditório terão que ser eliminadas.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
A Propósito do «federalismo» da União Europeia
Para que conste, tendo eu sacrificado há muitos anos atrás, conscientemente, uma promissora carreira internacional para que os meus filhos crescessem em Portugal, não aceitarei quaisquer eventuais ou hipotéticas «lições de patriotismo». Mas o meu patriotismo não me impede de reconhecer a enorme dificuldade (quase impossibilidade) de um qualquer Estado-Nação com a dimensão territorial e demográfica de Portugal, fazer frente ao universo das empresas transnacionais. Que são quem, na ausência de um «governo mundial», efectivamente vai governando o mundo.
É nesse sentido que, no âmbito europeu, sou favorável a uma União Europeia federal - uma pessoa um voto, Assembleia Constituinte e eleição directa de um Presidente/Governo. O exacto oposto da actual UE («pseudo-federal») de comando central do directório germânico (que vai fazendo à França o favor de uma simulação de eixo «Paris-Berlim»...).
Para mim a questão de sair ou não sair do Euro é uma questão secundária e de circunstância.
A questão fundamental é a do controle do sistema mundial de refugios fiscais, com sede informal (mas muito bem estruturada...) na «City of London».
É esse sistema mundial de refúgios fiscais que tem permitido às empresas transnacionais (também temos algumas «com sede operacional em Portugal»...) a sistemática redução das taxas dos impostos que seriam supostas pagar a cada um dos Estados onde efectivamente desenvolven as suas actividades.
É ESSA A QUESTÃO FUNDAMENTAL: a evasão fiscal institucionalizada...
A qual está na origem das crises da Dívida Soberana de todos os Estados, no caso europeu a começar na Grécia e que há-de chegar a afligir a Alemanha. Sim, porque as Volkswagens, Mercedes-Benzs e Siemens, também não gostam muito de pagar impostos... Além de que essas empresas «alemãs» são constrangidas pela concorrência mundial a minimizar os respectivos encargos fiscais....
Ou seja, e em consequência, só um Estado com a dimensão de uma União Europeia (ou Estados com a dimensão continental de uma China, Rússia ou Brasil) poderão eventualmente (dependerá da correlação de forças dentro de cada um desses Estados...) «fazer frente» ao referido universo das empresas transnacionais.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Sobre os porquês «desta» crise
A principal questão colocada seria então a de que «não deveria ter já rebentado esta crise antes? Porquê só agora? Quais as principais razões de contexto que levaram a isto?»
Aquilo que eu procurei resumir naquele meu texto sobre a dinâmica do capitalismo(sob a forma de um esqueleto analítico) é que esta crise estava larvar (submergida, se assim quiserem...) desde há uns 20 (ou mesmo 30...) anos.
A taxa de lucro real - aquela que se exprime em «valores» (não apenas em preços...) - começou a estagnar em meados dos anos Setenta. Lembram-se dos «choques do petróleo» ???
Foi justamente a partir do princípio dos anos Oitenta (Tatcher e Regan...) que começou a espiral do crédito fácil (mas caro...) e da evasão fiscal (a maioria dos paraísos ou refúgios fiscais foi criada a partir dessa altura). A desregulação bancária - de que a criação do «euromarket» (mercado «europeu» de dólares) foi o principal instrumento - vem também desses tempos do contra-ataque neoliberal e anti-keynesiano. Hoje, cerca de 90% dos empréstimos, financiamentos e transacções mundiais são processados através daqule «euromarket».
Ou seja, a cosmética financeira permitiu - durante uns trinta anos - «disfarçar» a crise. Até que já não havia mais como «disfarçar». E é nisso que estamos hoje.
De resto a «ganância» dos banqueiros e a imprevidência ou «falta de responsabilidade» dos gestores dos fundos de investimento são apenas epifenómenos e efeitos da lógica intrínseca do sistema: a procura do lucro e sua maximização.
Uma nota final (a pensar em engenheiros...): sendo a economia um sistema complexo, os mecanismos de transmissão funcionam de modo assíncrono e com diversas temporalidades... Por exemplo, é muito mais fácil «fechar uma loja de esquina» do que «interromper um investimento mineiro». E, no caso dese tipo de investimentos, há ainda a considerar todas as implicações estruturais a montante e a jusante... Mas, entretanto, a produção de valor acrescido e a evolução da taxa de lucro sistémica não pára de continuar a evoluir, a evoluir, a evoluir... Até se atingir aquilo a que os físicos chamam de «transição de fase»...
A Propósito de Disparates e Ironias
Em 22 de Novembro, o professor doutor João César das Neves publica no Diário de Notícias um artigo com um título de «Contágio» onde refere os «disparates extremistas e irónicos do Bloco de Esquerda e indica a «falta de confiança» como o mal que nos aflige a todos. Como se «isto» da Economia fosse só (e sobretudo, pelos vistos...) uma questão de «confiança» e entusiasmo (digo eu, agora). Como se não houvesse razões lógicas e objectivas para a CRISE. Refere também «bloggers desconhecidos» como se para se ter razão no mundo ciêntífico, o ter-se «tempo de antena» fosse condição sine qua non para se estar certo. De facto já Disraeli dizia que «quem controla a informação, controla a realidade».
Como será evidente, cada autor tem pleno direito às suas patetices, disparates e ironias... Já no que diz respeito à acuidade científica daquilo que se afirma sobre a economia só os factos poderão vir a servir de juiz definitivo. Pela minha parte não consigo – e já procurei – qualquer documento publicado pelo Professor Doutor João César das Neves em que ele tivesse sido capaz de ter antecipado (ou visto chegar) esta crise...
O facto de o referido doutor ter muito tempo de antena não lhe dá qualquer maior crédito no mundo das ciências, sendo que neste caso a risota é bastante generalizada – à escala mundial - entre outros académicos (físicos, biólogos, químicos, astrónomos....) sobre as pretensões «científicas» dos nossos «economistas convencionais»...
O próprio doutor João César das Neves reconhece (ainda que implicitamente) o desvario e atrapalhação dos nossos «economistas convencionais» quando diz esta coisa deliciosa:
«No fundo dá-nos gozo ver os políticos às aranhas incapazes de solucionar a crise», pois que, convém não esquecer os «políticos» que agora nos desgovernam – aqui como em quase todo o mundo – são quase todos «economistas convencionais»... Faltaria ao doutor João César das Neves acrescentar que «eles andam às aranhas incapazes de solucionar a crise» porque se calhar não percebem patavina de Economia.
Era bonito. Por outro lado, na sua contundente crítica ao Bloco de Esquerda (onde pontifica um outro ilustre professor doutor em Economia) e aos bloggers desconhecidos , deixa de fora o PCP.
Terá sido por esquecimento ou achará ele que, afinal, os economistas não convencionais que pontificam no PCP se calhar até têm razão naquilo que vão escrevendo sobre as saídas para a crise?...
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
«Economistas» e «Geógrafos»
Procuremos imaginar uns geógrafos muito competentes e conhecedores de todos os detalhes da superfície visivel do nosso planeta. Por estudo aprofundado saberiam mesmo explicar o modo como os ventos e as chuvas, as neves o granizo e o calor, vão causando erosão e deslizes de terras... Estudariam bem e compreenderiam como os diversos grupos humanos formam os seus habitats e vão alterando o meio ambiente vegetal... Haveria aí os geógrafos que se especializariam em geografia humana e outros que se especializariam em geografia física ao nível da descrição detalhada de rios, montanhas, lagos, vales, florestas e desertos, correntes marítimas e ventos dominantes...
Mas agora imaginemos também que, por um bambúrrio do acaso, esses geógrafos seriam perfeitamente desconhecedores de coisas como as placas tectónicas ou a deriva dos continentes... Eu sei que a hipótese desse «bambúrrio do acaso» é perfeitamente estapafúrdia. Não há geógrafos que fossem assim tão ignorantes das coisas da geologia. Mas a questão para que quero chamar a atenção é que os nossos economistas convencionais, aqueles que nos vão (des)governando ou servindo de eminências pardas de «políticos-que-fazem-papel-de-papagaios», esses economistas convencionais estão para o conhecimento da economia (a verdadeira, a autêntica, aquela que produz casa, roupas e comida...) como os tais imaginários «geógrafos-que-não-conhecem-as-placas-tectónicas» estariam para a geologia.
Como resultará natural, quando houver – e sempre os vai havendo – tremores de terra, esses tais imaginários «geógrafos-que-não-conhecem-as-placas-tectónicas» ficariam assustados e sem saber como explicar o sucedido... Provavelmente, à semelhança dos nossos economistas convencionais lá arranjariam explicações epistemologicamente equivalentes às explicações que têm sido propostas para o «tremor de terra» que tem sido esta crise: ganância de alguns, desregulação mal elaborada, intervenção exagerada dos governos em coisas que não lhes dizem respeito, etc., etc., etc...
Aquilo que no plano económico tem vindo a acontecer no nível «geológico» do sistema económico (aquele nível que simplesmente não é visível), isso pura e simplesmente passa despercebido... E é também por isso que aquela «meia-dúzia» de economistas não convencionais (e outros cientistas sociais) que se entretêm a estudar estas coisas, vão procurando explicar - de um modo distinto e claramente alternativo - as causas da crise e alguns, pasme-se, até a viram chegar com muita antecedência...Utilizando para isso coisas «metafísicas» (dizem eles, os convencionais) como «exploração, «valor», «pensamento dialéctico»...
A propósito da estória da competitividade
Mesmo descontando o caracter tentativamente conciliador do estilo «Estamos numa fase da vida colectiva em que nos devemos habituar a distinguir o importante do acessório» a verdade é que não são notícia - sendo legítimo presumir que não houve - quaisquer referências a coisas tão banais e comuns, seja em «tempos de vacas gordas», seja em «países civilizados» como por exemplo a «reciclagem profissional», a «reconversão de actividades produtivas», o empenho na formação profissional nos locais de trabalho, a reactivação e motivação de comissões de trabalhadores (abrenúncio... vade retro...) ou ainda a questão dos custos de outros insumos que não a força-de-trabalho... Nomeadamente (e muito em particular) a energia (ao que me dizem uma das mais caras da União Europeia).
A verdade nua e crua - que sobra para todos nós e em mais do que um sentido - é que estas «élites» não sabem o que fazer para nos «tirar do buraco» para que nos conduziram...
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
A propósito da «Dinâmica (recente) do Capitalismo»
Acabei por elaborar uma espécie de «grelha de leitura» ou «esqueleto analítico» em 4 páginas e 20 parágrafos...
Veja aqui e diga se dá para entender...
https://sites.google.com/site/sitiodaperegrinacao/Din%C3%A2micaRecentedoCapitalismo.pdf
A Propósito do Comportamento da Taxa de Lucro
Todos os outros (a esmagadora maioria dos «economistas convencionais» - ou «vulgares» como diria o filósofo de Trier) passam de lado em relação a esta temática, apesar de a mesma ser fundamental para o entendimento da CRISE... A qual só pode ser entendida se olharmos o comportamento do sistema na sua globalidade de dimensão planetária... Nesse contexto era bom que se estudasse e, sobretudo, se entendesse a forma como o comportamento da taxa de lucro vai afectando o comportamento da economia como um todo...
Veja aqui um breve estudo teórico sobre o tema do comportamento da Taxa de Lucro.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Os buracos negros da ciência económica
Embora o autor faça uma crítica severa e cáustica do paradigma predominante no ensino das «ciências económicas», partindo para isso de algumas premissas que se podem encontrar também em Keynes, consegue não fazer qualquer referência ao problema fundamental da teoria económica, ou seja, o conceito de valor. Assim como ao processo social (e histórico, que se desenrola no tempo concreto da vida social...) da transformação de valores em preços. Já nem digo por referência ao famigerado problema ricardiano da «transformação» de «valores» em «preços de produção», mas sim ao simples (?...) problema da trivial situação de que, no mercado capitalista, as pessoas trocando valores só o podem fazer sendo estes expressos em dinheiro. Estou aqui a pensar que é através do dinheiro (e do controle da sua emissão, cada vez mais ao sabor de entidades privadas) que determinadas classes sociais se podem apoderar de maiores parcelas do valor criado pelo colectivo social, em detrimento de todos aqueles que não participam nesse controle... Pelos vistos a teoria (laboral) do valor continua afastada de muita a reflexão ciêntífica, passando-se assim de lado em relação a alguns dos problemas fundamentais da economia e das crises que nos vão afectando a todos. A muitos de nós, MUITO MAIS do que a outros, claro... O autor, Jacques Sapir limita-se (o que já não é pouco...) a chamar enfáticamente a atenção para o facto de que a ciência económica trata o TEMPO como uma espécie de «ESPAÇO virtual» (se algum cientista físico, naturalmente einsteiniano (...) por acaso ler isto, é capaz de sorrir...) onde as coisas se podem repetir «até dar certo». Julgo que foi Joan Robinson - uma keynesiana que parece que quase virou marxista (...) quem também chamou a atenção para o facto de que Keynes frisava a necessidade de considerar as sociedades concretas no seu tempo histórico concreto.
Claro que tudo isto se prende com a aparente (diria quase que estranha) incapacidade de muitos economistas convencionais em pensarem dialéticamente... Em verem as coisas e os fenómenos da economia como estando num devir permanente e contínuo.