Estou aqui a tentar perceber qual a racionalidade ou lógica de gestão empresarial que terá levado os senhores gestores das empresas de transportes públicos a assinar contratos de troca de risco relativamente aos juros a pagar pelos empréstimos de que precisavam para as operações daquelas nossas empresas.
Dizem alguns analistas - designadamente o do jornal «PÚBLICO» de hoje - que os contratos de troca até podem ser muito úteis.
Duvido...
E os resultados estão à vista.
Se
pensarmos bem nisso deviam era ser muito estritamente regulados. E na
ausência de uma regulação eficaz e rigorosa, deviam mesmo ser
proíbidos. Desde logo porque legitimam a ideia de que há uns
senhores - na banca - que se podem constituir numa «casta de esclarecidos»
(uma espécie de «insiders» privilegiados) porque sabem mais
do que todos os outros sobre a evolução futura das taxas de juro ou
das taxas de câmbio ou das subidas e descidas dos preços disto e
daquilo... Ou seja, os gestores responsáveis pela gestão financeira são supostos ser uns «tadinhos» menos competentes e que precisam da assessoria técnica por parte daqueles «insiders».
Para não dizer que fica também legitimada a ideia
peregrina de que «há honra entre os ladrões» do estilo «ou há
moralidade ou comem todos». De facto, pelos vistos, «eles vão comendo tudo e todos» e o
que querem mesmo é que não haja supervisão que impeça as suas golpadas.
De
certa forma era isso mesmo – uma supervisão e regulamentação
rigorosa e eficaz aquilo porque se bateu a sra. Brooksley Born quando
era presidente da «CFTC – Commodity Futures Trading
Commission».
Muito natural e significativamente foi derrotada pelos defensores
da «falta de transparência», a qual lhes permite continuar com
estas golpadas em todo o mundo.
Em
rigor, os senhores defensores do paradigma neoclássico (que no plano
ideológico sustenta a praxis do neoliberalismo) deviam ser os
primeiros a procurar regulamentar com todo o rigor a transparência
nesse tipo de negociatas justamente com base nos pressupostos da
igualdade no «acesso à informação».
Mas,
em todo o caso, falar aqui de paradigma é algo de abusivo. O
conceito de «paradigma» implica a ideia filosófica de conhecimento
ciêntífico; e isso é algo de que a escola neoclássica está cada
vez mais longe. Uma ideologia matemáticamente pura, como não me
canso de repetir citando o Prof. Alan Freeman.
Seja como for, cheira-me que há aqui algo por explicar (muito mais coisas certamente, mas para já contentar-me-ia com isto):
Como é que a «compra de activos tóxicos» (por parte daquelas empresas) se encaixa na troca (ou seguro) de risco de alteração das taxas de juro (negativa ou desfavorável para os "nossos" gestores das nossas empresas públicas)?...
O
que é que uma «coisa» tem a ver com «outra»?...
Os
senhores que se apressam a dizer – mas não a explicar – que os
contratos «swap»
(uma troca de risco "pelo seguro"...)
são uma coisa que até pode ser muito útil na gestão dos negócios
correntes de qualquer empresa, deviam também esclarecer os seus
leitores sobre isso.
Tanto
quanto eu saiba, as alterações ou oscilações nas taxas de juro
(indexadas à LIBOR) nunca têm sido de uma qualquer ordem de
grandeza que justifique perdas de dezenas de milhões de euros a
partir dessas variações. Ou então a estória está MUITO mal
contada.