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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Afinal ainda mais um esclarecimento

A situação inicial
Na janela proposta aqui para que se façam «experiências» sobre a possível evolução da taxa de lucro - variável determinante do comportamento de todos os agentes económicos e do sistema como um todo -
Trata-se, naturalmente, de uma situação hipotética que pretende representar um «capitalismo abstracto subjacente ao capitalismo real» de fins do século XVIII. Nisso sigo o autor Ronald Meek (Economics and Ideology and Other Essays, 1967).
Temos então que o capital total à disposição do «capitalista colectivo» aparece aqui como sendo constituído por 12.000 «unidades». 
Estas 12.000 «unidades», tanto podem ser expressas sob a forma de «o resultado acumulado de uns tantos milhares de horas de trabalho» como «X toneladas de "alimentos" mais Y «unidades de ferramentas».
A relação aqui assumida - nesta hipotética situação inicial - é a de 1 (uma) unidade de «capital-máquina» (ou capital constante) para 5 (cinco) unidades de capital-pessoas (ou capital variável).
Presume-se também que o colectivo das pessoas trabalhadoras, trabalhando 10 horas por dia, produz o suficiente para que esse «colectivo» se mantenha vivo e activo, assim como o suficiente para a sua reprodução geracional, e  ainda mais «alguma coisa» que reverte para os «capitalista colectivo» (ou «factor capital»).
É a esse excedente (que reverte para o «capitalista colectivo») a dividir pela totalidade (as tais 12.000 «unidades») inicialmente «investida» que se chama aqui «taxa de lucro sistémico».
O qual «lucro sistémico» é depois disfarçado, camuflado e recoberto de mil roupagens e maquilhagens de cosméticas pseudo-financeiras, ao ponto de se travestirem prejuízos sistémicos em lucros bolsistas.  
Houve um dia em que um meu amigo (professor universitário de matemática) depois de «olhar para isto» fez «quase de imediato» a observação (ou algo assim...) de que «a solução para o sistema funcionar equilibradamente, era reduzir os tempos de trabalho»
Agora procurem lá explicar isto aos «economistas» CONVENCIONAIS que nos desgovernam. Ou então, procurem explicar o significado da expressão: «actuar na conjuntura tendo em conta a estrutura do sistema»
E depois disto, começo a pensar que é mais fácil explicar as minudências da mecânica quântica, o «entrelaçamento das partículas subatómicas» ou a experiência da suposta «dualidade partícula-onda», do que explicar estas coisas da economia política. 
Se calhar o Lénine é que tinha razão: para perceber isto tudo, se calhar, primeiro é preciso estudar a «Ciência da Lógica» de Hegel...

terça-feira, 23 de abril de 2013

Mais tempo para nos afundarem...

Mais algumas rudimentares considerações de um não-economista...
Uma das notícias do dia (23 de Abril de 2013) é a de que a França, a Espanha e Portugal «vão ter mais tempo para reduzir o défice».
Traduzindo em efeitos de curto e médio prazo - pelo andar desta carruagem – isto quer também dizer que estes países estão autorizados a aumentar as respectivas dívidas públicas.
Ou seja, meteram-nos (prometeram futuros luminosos de rendimentos crescentes, aliciaram-nos, empurraram-nos) para um buraco de areias movediças e quanto mais nos mexermos ao som das cantigas que eles cantarem, mais nos vamos enterrar.
Entretanto vão agora dizendo que é preciso promover o crescimento e que faz falta «abrandar a austeridade» (ou algo assim...) .
Pois todos estaremos de acordo que é preciso «promover o crescimento», embora haja quem questione o princípio do crescimento em si mesmo. Quem pense que o que faz mesmo falta é de mudar de paradigma e, em vez de «crescimento», optar antes por «desenvolvimento».
Para alguns mais ignorantes será a mesma coisa. Mas não é!
Dizem-nos alguns «analistas de aviário» que proliferam nas TVs e outros meios de comunicação social, que é preciso promover o consumo, pois que grande parte do PIB (aqui e em muitos outros países) é dependente do consumo das famílias. Por isso também, no esquema deles, era bom que os países que pregam a austeridade (normalmente os mais ricos...) promovessem o crescimento do consumo das famílias desses países mais ricos e que importassem mais de outros países, dentro e fora da eurolândia.
Até certo ponto isto até é capaz de ser verdade, mas ao estilo de «com a verdade nos enganam».
Só que a economia é uma coisa tramada de tão complexa...
Para aumentarem o consumo das famílias sem aumentarem os seus rendimentos reais – em contado – só se for por facilitação de recurso ao crédito ao dito consumo. E lá vem de novo o arranque de mais uma outra «bolha de dívida privada» condenada a estoirar daqui a mais uns anos.
Mas se as empresas aumentarem os rendimentos reais das famílias (ou seja, aumentando os salários) lá vem a incontronável «perda de competitividade» (dizem eles, claro... a coisa, também aí não é nada linear). 
Ou então – é ainda uma outra alternativa - se forem os Estados a reduzirem os impostos dos rendimentos do trabalho para ficar mais dinheiro para o consumo das famílias, lá torna a crescer o défice público, nosso e deles (o dos países ricos). Ou seja, quando se chega ao «limite», alguém tem que ceder um bocadinho para que outro alguém possa receber algo mais do que aquilo que já recebia.
Uma embrulhada...
Claro que se podiam fazer outras coisas como «ir buscar o dinheiro onde ele está».
Por exemplo, no caso Português, deixar de pagar as rendas de monopólio a umas coisas a que chamam «Parcerias Público Privadas». Ou aos monopólios da energia e telecomunicações.Embora ainda haja por aí uns senhores que acham que têm sido «os privados» quem tem estado a subsidiar o Estado.
Ou ainda adoptar um novo paradigma fiscal que focasse a cobrança de impostos empresariais não tanto sobre os lucros mas sim sobre a actividade. Era muito capaz de ser uma bela machadada no sistema mundial «offshore» (os vulgarmente chamados «paraísos fiscais»)...
Uma outra coisa que podiam fazer era reduzir os tempos de trabalho.
Sim, sim.. Reduzir os tempos de trabalho. Distribuir as tarefas que há para executar pelo maior número possivel de pessoas. A começar pelos jovens à procura de primeiro emprego.
Mas, por favor, não falem disto - da redução dos tempos de trabalho - a nenhum economista convencional. Os economistas convencionais respondem logo que este vosso sociólogo do trabalho (de vez em quando não deve ficar mal puxar por uns galões «académicos») certamente nunca ouviu falar da «lump of labour fallacy» ou (em vernáculo lusitano) «falácia da quantidade fixa de trabalho».